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O Pai de Copacabana
Em 1996, o prefeito César Maia realizou obras para reformar a Avenida Princesa Isabel.
Lá se encontrava o busto do Engenheiro Coelho Cintra, desde sua inauguração, em 1951. Mais do que justa homenagem àquele que criou Copacabana.
Retiraram o busto deste local.
Soube que passou a ocupar um espaço na Fundação Parques e Jardins. Arrancaram-no do lugar que lhe cabia de direito _ a porta desse bairro-cidade que é cartão postal para o mundo inteiro. _ escrevi, então, para os jornais.
Para os que não sabem, devo esclarecer que esse homem realizou muito. Começou com o prolongamento da linha de bondes, partindo da rua do Ouvidor, chegando até a Praia Vermelha.
Nascia, assim, o bairro da Urca.
Dois anos depois, em 1892, chega a vez do projeto que haveria de lhe custar as mais duras críticas: cavar um túnel que ligasse o último bairro carioca em direção ao sul _ Botafogo _ com as praias semi-desertas. Ele garantiu, no entanto, apesar das oposições, que faria daquele areal uma cidade. E fez: nascia Copacabana.
De temperamento irrequieto e empreendedor, fez muito mais!
Implantou núcleos coloniais que, mais tarde, resultariam em importantes centro urbanos, em outros estados do Brasil, como no Rio Grande do Sul, onde nasceu a cidade de Caxias. Em São Paulo, resultaram São Caetano, São Bernardo e Jurubatuba; no Espírito Santo, Santa Leopoldina.
Desenvolveu meritória ação em favor dos imigrantes, durante a epidemia de febre amarela que grassava no país. Recebeu do governo português a Comenda da Ordem de Cristo.
O seu nome, em placa, e sua fotografia, à entrada do Prédio Companhia das Artes são a prova do reconhecimento e do carinho com que a cidade de Natal (Rio Grande do Norte) homenageia a quem tantos e tão relevantes serviços lhe prestou.
A isto se chama gratidão, carinho, conhecimento e reconhecimento, respeito e cultura.
Justamente na cidade onde viveu a vida toda e criou uma verdadeira cidade, não encontramos o respeito devido.
Hoje, em 2005, escrevo outra vez e pergunto: Onde está o busto do Pai de Copacabana?
Espero que possam deixá-lo em paz e respeitem a sua memória, respeitem também as autoridades e políticos que, em reconhecimento, o homenagearam em 1951.
Regina M. Coelho Cintra
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